domingo, 4 de novembro de 2007

não-linearidade

Vivemos hoje em um mundo de transformações. Bom, mas quando foi o tempo em que vivemos em um mundo de não-transformações? Até onde posso compreender, o mundo ESTÁ, sempre ESTEVE e sempre ESTARÁ em transformação constante. Não fosse assim, a ameba não teria virado alga, que não teria virado planta, que não teria virado seres aquáticos, que não teriam conquistado a terra e os ares, que não teriam virado hominídeos, que não teriam construído civilizações e culturas.

E falando em cultura, estamos aqui hoje para refletir sobre a conjuntura atual em que (alguns de nós) vivemos: a sociedade da informação, ou globalizada, ou digital, ou em rede. Nesse contexto, graças a Deus, boa parte das relações sociais, econômicas e políticas estão saindo do âmbito material para digitalizarem-se, virtualizarem-se. São ao mesmo tempo intangíveis - não podem ser tocadas - e extremamente influentes sobre o que podemos chamar de ações práticas reais (as coisas que de fato acontecem no mundo).

Bom, vamos definir (lembrando que isso não é ciência): real é algo que existe. Algo real pode ser material ou virtual: material é algo palpável, "concreto", e virtual é o intangível, o abstrato. As tecnologias digitais podem facilitar-nos a compreensão sobre como o virtual é fortemente atuante em nossas vidas, apesar de isso não ser nenhuma novidade. Sim, pois a moral, o amor, os valores sociais, a própria música, os sentimentos - e agora a informação digital - são todos não-palpáveis, e nem por isso deixaram de exercer influência historicamente.

Mas não é sobre isso que queremos falar hoje. É sobre navegação em ambientes virtuais, como computadores e principalmente a internet - grande rede que conecta milhões de pessoas podendo compartilhar informações em muitos níveis. Eu precisaria de algumas páginas e carga literária a mais do que disponho nesse momento para falar minimamente sobre esse assunto. Mas o mais interessante é pensar em uma das principais características possibilitadas pela virtualidade: a não-linearidade. Não-linear, como alternativa ao linear, quer dizer sem ordem fixa, sem sequência pré-determinada.

Isso quer dizer que não há controle sobre o caminho que percorremos quando estamos navegando pela internet. No caso, o que me motivou a escrever tudo isso foi a leitura desse próprio blog. No topo da página, vemos uma indicação minha para lê-lo de baixo para cima (em ordem cronológica, portanto). Sugiro isso pois, na minha limitada opinião, a leitura do blog faria mais sentido lido nessa ordem linear. Se pensarmos bem, um blog não é um bom exemplo de estrutura não-linear, porque a princípio ele tem uma ordem bem definida. Mas, podemos acessar as postagens pelos marcadores (por assunto) ou pelo arquivo (por intervalo de tempo), e são essas as possibilidades não-lineares de leitura.

Voltando, só hoje me ocorreu que a leitura do blog pela ordem como ele é exposto (cronológica inversa), é possível construir uma visão da obra diferente da que imaginei quando sugeri a leitura cronológica de baixo pra cima. Eisenstein, falando sobre montagem - ou seja, colocação de diferentes imagens em sequência -, nos sugere: A + B = C (uma imagem seguida de outra gera um terceiro e novo sentido). Imagine quantas variáveis não existem em uma navegação pela internet... E portanto, fiquem à vontade para ler as postagens do blog na ordem que bem escolherem, que lhes for mais atrativo... Combinado?! =)

Um comentário:

Raquel disse...

OI Alberto, passei aqui pra ver teu blog!
que legal, eu não sabia que vc escrevia. Estou explorando essa não-linearidade dos blogs tbm, experimentalmente por enquanto, pretendo publicar em breve ;)
Abraço!

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